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03-04-2008 - – http://www.kmol.online.pt, Livro Capital Intelectual
Resumo por Ana Neves
Livros dedicados ao capital intelectual das organizações são poucos. Livros dedicados à avaliação do capital intelectual e das actividades de gestão de conhecimento nas organizações são menos ainda. Este livro encaixa-se neste último grupo e foi uma agradável surpresa.
Os autores começam o livro com uma explicação da importância do capital intelectual para as organizações e da relação deste com o valor actual das empresas. A relação entre os bens tangíveis e intangíveis bem como a perspectiva de vários autores sobre o que constitui capital intelectual são também assunto dos capítulos iniciais. |
Depois da parte introdutória para criação de contexto, os autores passam a algumas considerações sobre a importância e os desafios de medir o capital intelectual e a gestão de conhecimento nas organizações.
O capítulo seis apresenta quinze modelos para avaliação do capital intelectual e das actividades de gestão de conhecimento disponíveis na literatura. Entre os modelos apresentados podemos referir o navegador do capital intelectual, o FIVA, a monitorização de activos intangíveis, e o modelo de Barret. Apesar de nenhum dos modelos ser apresentado em grande detalhe, este capítulo vale por dar ao leitor uma visão abrangente da forma como diferentes autores, através de diferentes modelos, reflectem o seu entendimento sobre a importância da gestão de conhecimento e do capital intelectual nas organizações.
O sétimo capítulo é de leitura obrigatória. Nele podemos encontrar considerações sobre os pontos críticos dos modelos de avaliação. Inclui, entre outros, uma lista das dificuldades na utilização de modelos de avaliação e os cuidados a ter na definição de métricas.
Este capítulo, apesar de se repetir um pouco, inclui dicas bastante claras e úteis para qualquer pessoa que queira considerar formas de avaliar o capital intelectual na sua organização.
O capítulo que se segue apresenta um caso de estudo, isto é, descreve o trabalho realizado pelos autores para a definição de um modelo de avaliação do capital intelectual e das actividades de gestão de conhecimento numa empresa brasileira.
O capítulo descreve a forma como foi definido, implementado e gerido o modelo, modelo este que reflecte algumas das ideias apresentadas nos capítulos anteriores. O modelo inclui indicadores de meio (aspectos relacionados com a implementação das actividades) e fim (aspectos relacionados com o alcance dos objectivos) e parece teoricamente robusto.
Como os próprios autores sugerem, qualquer modelo deve ser adaptado à realidade, estratégia e cultura da organização onde se pretende utilizá-lo. Nesse sentido, e sem questionar a adequação do modelo descrito à organização em análise, sugeria que os leitores considerassem métricas mais voltadas para a valorização da qualidade do conhecimento e da informação.
Depois da apresentação do caso de estudo, os autores dedicam o resto do livro à apresentação dos resultados de uma pesquisa por eles realizada junto de empresas brasileiras com base em 104 questionários recebidos. A pesquisa pretendia verificar se as organizações brasileiras se podem alinhar pelo modelo de avaliação sugerido por Anantatmula, composto por 26 indicadores e validado junto de 200 empresas europeias e norte-americanas.
O questionário enviado recolhia dados demográficos de quem respondeu e da organização que representavam, e perguntava sobre a importância e a possibilidade de medir cada um dos indicadores listados.
Os resultados do questionário são apresentados e analisados e servem para comprovar que os indicadores avançados por Anantatmula se podem, prefeitamente, aplicar nas organizações brasileiras. Os autores analisam com imenso detalhe os resultados obtidos, avançando algumas suposições e deixando pouco espaço para o leitor derivar as suas próprias conclusões. Teria sido interessante realizar algumas entrevistas junto daqueles que responderem ao questionário ou de outros representantes de empresas brasileiras no sentido de aprofundar algumas das respostas e tentar fazer sentido do conjunto.
Fiquei surpreendida por não encontrar um capítulo de conclusão com algumas palavras de encorajamento para as organizações e com ideias de como os autores pensam que a abordagem e modelos descritos podem ser melhorados.
No geral é um livro relevante, bastante actual e que, sendo prático e de fácil leitura, constitui elemento obrigatório na biblioteca de qualquer organização que se interesse, verdadeiramente, pela gestão de conhecimento, pelo capital intelectual e pela avaliação de resultados nestas áreas.

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